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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Nunca é demais protestar frente às atrocidades do mundo

Poesia: No caminho com Maiakowski de autoria de Eduardo Alves Costa

Na primeira noite, eles aproximaram-se
e colheram uma flor do nosso jardim.
E não dissemos nada.
Na segunda noite, já não se esconderam,
pisaram as flores, mataram o nosso cão.
E não dissemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles,
entrou sozinho em nossa casa,
roubou-nos a luz,
e, conhecendo o nosso medo,
arrancou-nos a voz da garganta.
E porque não dissemos nada, já não podemos dizer nada.*

Aprofundando a reflexão da poesia acima, leiam a sequência do texto:
Retirado do blog abaixo:
http://pimentel-portodaserra-gloria.blogspot.com/2011/11/minha-poesia.html
Minha poesia
Tenho o costume de ler a coluna de Cláudio Humberto e quase todo dia num cantinho ao lado, leio:
"Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.
Como não sou judeu, não me incomodei.
No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei.
No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico.
Como não sou católico, não me incomodei.
No quarto dia, vieram e me levaram;
já não havia mais ninguém para reclamar..."
Martin Niemoller = 1933. Na internet, em Wikipédia, consta que Niemöller é o autor de uma das mais célebres poemas, “E Não Sobrou Ninguém” tratando sobre o significado do Nazismo na Alemanha:
"Quando os nazistas levaram os comunistas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era comunista. Quando eles prenderam os sociais-democratas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era social-democrata. Quando eles levaram os sindicalistas, eu não protestei, porque, afinal, eu não era sindicalista. Quando levaram os judeus, eu não protestei, porque, afinal, eu não era judeu. Quando eles me levaram, não havia mais quem protestasse"
Creio que o Cláudio Humberto deve ter feito alguma adaptação.
Outro dia, pesquisando na internet deparei-me com uma sentença de lavra da Dra. MARIA ZUILA LIMA DUTRA, Juíza Federal do Trabalho - Titular da 5ª Vara de Belém, onde ela, inspirada, fundamentando sua decisão, escreveu:
“Neste sentido, recordo-me da poesia NO CAMINHO COM MAIAKOWSKI, de autoria de EDUARDO ALVES DA COSTA, um dos maiores poetas brasileiros do século XX que soube expressar como poucos a angústia e o medo que sentimos em face de ameaça à liberdade de expressão, que sintetiza e reflete muito bem o silêncio diante da discriminação”: ...*Poesia introdutória
A mensagem que estes versos trazem, são idênticas. Visíveis de plano, diferem apenas, no horário do fato. Resolvi, então, fazer a minha poesia. Lá vai:
Um dia, o governo criou a Derrama, Tiradentes protestou, foi enforcado, e não dissemos nada.
Depois o governo criou o Imposto de Renda, ninguém foi enforcado porque não dissemos nada.
Noutro dia, o governo criou o IOF e depois inventou o Imposto do Cheque e mais uma vez não dissemos nada.
Agora que nosso dinheiro é devorado pela corrupção, não podemos dizer nada porque nunca dissemos nada.
Agora eu quero dizer algo. Tu dizes comigo?...

Pinheirinho: Desocupação é a demonstração que ainda vivemos a pré- história humana

Na manhã deste domingo milhares de pessoas em São José dos Campos, no bairro Pinheirinho (ocupação que existia desde 2004) foram surpreendidos às 6 horas da manhã pela força do poder policial do Estado de São Paulo e da prefeitura do município, mais de 1.500 homens, dezenas de carros blindados, helicópteros, bombas de gás e de pimenta. Em uma operação de guerra essa população trabalhadora foi despejada para que a justiça brasileira devolvesse essas terras para apenas um homem, que matemática! Seis mil saem boa parte para debaixo da ponte enquanto apenas um, que alias não vai morar lá, é beneficiado, este alguém nada mais nada menos, que o “senhor” Naji Nahas, mega especulador envolvido em inúmeros casos de corrupção no Brasil. Essa é a justiça brasileira favorece mais um corrupto, se necessário até matando crianças, como há denuncias no confronto do Pinheirinho.

Como dizia o grande revolucionário Karl Marx: “ainda vivemos a pré – história da humanidade” essa fase histórica só será vencida quando o homem for capaz de acabar com os Estados políticos de exploração do homem pelo homem(a fome, a falta de teto, de terra, de justiça), ou seja, com o capitalismo, pois só assim como falava Marx:“O reino da liberdade começa onde termina o reino da necessidade”

Vejam através do link abaixo, o vídeo realizado pelos militantes do Partido da Causa Operária, durante a brutal ação do governo de Geraldo Alckimin. 

Repúdio à Polícia Militar e aos governos burgueses



Como professor sempre procuro esclarecer  o que é a polícia militar aos meus alunos, como pai faço o mesmo e espero que meus filhos nunca vistam uma farda pois seria um tiro em meu peito vê-los fazendo o que já dizia Geraldo Vandré em 1970:
 Há soldados armados
Amados ou não
Quase todos perdidos
De armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam
Uma antiga lição:
De morrer pela pátria
E viver sem razão
Como mais uma vez fizeram neste último domingo cumprindo ordens despejaram mais de 1500 famílias em São José dos Campos para entregar as terras e defender um corrupto, o Sr. Naji Nahas, esses policiais morrem não sei por qual pátria, mas sei, vivem sempre sem razão apenas obedecendo as ordens...da burguesia. Espero também que muitos dos sindicalistas que sobem em cima de caminhões de som em assembléias de trabalhadores não voltem a usar esses microfones para defender melhores salários para os políciais militares, pois nos estados Burgueses defender aumento de salário para meganhas é reforçar o cacetete que eles no momento oportuno desceram em nós trabalhadores assim como infelizmente fizeram com pais, mães, adolescentes e crianças neste dia 22 de janeiro de 2012.
Abaixo a polícia militar.


quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Os 70 anos de Muhammad Ali - O maior lutador de Boxe de todos os tempos

Neste dia 17 de Janeiro de 2011, o maior lutador de boxe de todos os tempos completou 70 anos. Mas ele foi o maior também por que também lutou contra o imperialismo econômico de seu próprio país, contra os abusos contra a população pobre e negra dentro de seu próprio país. Parabéns Muhammad Ali.

Abaixo um ótimo texto do site Causa Operária online, de novembro de 2009.

1964 Paul McCartney, John Lennon, Ringo Starr e George Harrison (da esquerda para a direita) fingem levar um soco de Cassius Clay, durante treinamento do peso pesado em Miami  Foto: AP
45 anos da luta do século 

Muhammad Ali X George Foreman

A disputa, que ficou popular como The Rumble in the Jungle – O Combate na Selva -, reuniu no mesmo ringue, dois dos maiores campeões pesos-pesados do boxe de todos os tempos. Ambos no auge de sua força física. Uma disputa que, além do boxe, tinha uma vez mais um forte conteúdo político para a luta do negro nos EUA e no mundo

8 de novembro de 2009
Zâmbia, 30 de outubro de 1974. Oitavo round da grande final do mundial dos pesos-pesados. No ringue, George Foreman castiga Muhammad Ali insistentemente, acuando-o contra as cordas. Ali parece aceitar a situação, passivo. Os gestos de Foreman, apesar de terem perdido certa agilidade e precisão, são cada vez mais agressivos. Ali, atento, mantém a guarda fechada. Estão ambos inclinados sobre o corner, encenando um dos maiores espetáculos que o mundo do boxe já havia presenciado. Era o célebre Combate na Selva, que entraria para a história como um dos maiores embates do boxe profissional do século XX.
Protagonizando o espetáculo, dois gigantes dos pesos-pesados, campeões do mundo na categoria. O matador George Foreman, e o aclamado e combatido Muhammad Ali, perseguido político e personalidade essencial do boxe de todos os tempos.
A luta acabaria imortalizada não apenas pelo vigor demonstrado por Foreman, e o brilhantismo da estratégia de Ali para derrotá-lo, mas também pelas circunstâncias históricas em que ocorreu o conflito. Em meio a grande uma operação da burguesia norte-americana de tentar atirar ao limbo da história uma das figuras mais significativas da história do atletismo mundial, o pugilista peso-pesado Muhammad Ali.
A história deste duelo se tornaria a história da luta de um boxeador por recuperar seus direitos no boxe profissional e com ele, sua coroa , ambos arrancados dele por meio de uma perseguição política. O título havia sido retirado dele anos antes, em um processo de caça às bruxas devido às suas posições políticas em defesa da Nação do Islã, de seu representante político Malcolm X, e contra Guerra do Vietnã, principal conflito bélico dos Estados Unidos desde a Segunda Guerra.

Cassius Clay: “O Rei do Mundo”

Nascido como Cassius Marcellus Clay no estado do Kentucky, nos Estados Unidos, em 1942, de família operária, Cassius era filho de um pintor de faixas e cartazes e uma empregada doméstica. Ele começou a treinar desde os 12 anos, quando sempre procurou seguir os conselhos de seu treinador: mover-se no ringue com a leveza de um dançarino. Este ensinamento, Clay levaria ao paroxismo, definindo um estilo único, inconfundível e eficiente, baseado na movimentação e na inteligência e não na força bruta.
Em sua ascensão vertiginosa ao longo da década de 1950, conquistou seis vezes o Kentucky Golden Gloves, principal campeonato estadual; duas vezes o National Golden Gloves, principal campeonato nacional e uma vez o Amatheur National Athletic Union Title, título máximo para um amador nos Estados Unidos.
Sua eficiência como atleta fez com que conquistasse o patrocínio da burguesia branca do Sul dos Estados Unidos, com a qual iria romper em seguida, rompendo com a mentalidade de submissão a partir de uma série de experiências pessoais.
Sua ascensão como boxeador amador culminou com a conquista da medalha de ouro na categoria Meio-Pesado, nos Jogos Olímpicos de 1960, sediados em Roma. Ao final de sua carreia amadora, acumulara já a marca de 105 lutas, sendo 100 vitórias e apenas 5 derrotas. Clay tinha apenas 18 anos.
Sua atitude provocadoradentro e fora ringues se tornariam a marca registrada do estilo de Clay. Suas declarações bombásticas revelavam a tendência de uma geração de negros norte-americanos no sentido da sua auto-afirmação, as quais haviam começado nos anos 50 e iriam crescer nos 60.
Durante as lutas, ele dançava vertiginosamente ao redor de seu adversário, com movimentos que preparavam uma seqüência matadora de jabs, cruzados e ganchos que batiam no oponente com força e velocidade. Clay chegou a ser definido por um de seus treinadores como capaz de “flutuar como uma borboleta, e ferroar como uma abelha”, o que se tornou seu lema pessoal.
Ele se especializara em desestabilizar emocionalmente seus adversários durante o período preparatório das lutas, através de provocações escandalosas.
Seu grande momento como pugilista profissional viria já em 1964, durante a disputa pelo título mundial contra o atual campeão (1962-1963), o Grande Urso Sonny Liston. Liston cultivava uma fama temível no cenário do boxe da época. Não apenas como violento ex-presidiário, mas também por sua ligação conhecida com a máfia. Era o típico mau caráter. Andava sempre armado, era alcoólatra e violento. Em outras palavras, matador nos ringues técnica e politicamente. Dezenas de lutadores sucumbiram frente a Liston em função dessa ligação sinistra com os reis do crime, e conseqüentemente, com uma poderosa ala da burguesia norte-americana. A disputa histórica chegou a ser descrita como a luta entre a inteligência e a força-bruta.
A vitória de Clay sobre Liston, aos berros eufóricos de “Eu abalei o mundo!”, garantiram a ele, não apenas o título mundial, mas também o mérito de ter destituído o domínio da máfia sobre o boxe profissional norte-americano. De fato, a vitória de Clay sobre seu adversário foi esmagadora. A ponto de, apenas um ano mais tarde, na revanche exigida pelo próprio Liston, este beijar a lona antes de se completar 1 minuto do primeiro round. Vencido pelo que ficou famoso como o Soco Fantasma de Clay, que poucos conseguiram ver tal sua velocidade. Liquidado profissional e psicologicamente, Liston apareceria misteriosamente morto poucos anos mais tarde, em seu quarto de hotel em 1971, vítima de overdose de heroína.
Malcom X, então um dos principais líderes dos Mulçumanos Negros, declarou para toda a imprensa que esta era a vitória da “inteligência do negro sobre o escravo dos brancos”, ou seja, um sinal da ascensão do negro como elemento consciente dos seus problemas e das suas necessidades contra o negro submisso e escravizado.
Clay torna-se assim o campeão mundial inquestionável do boxe, com apenas 22 anos. Ele sustentaria seu título pelos três anos seguintes, destituído, não por outro gigante, mas pelo governo norte-americano, em um processo histórico de perseguição política a um atleta.

Nasce Muhammad Ali

Após a conquista do título mundial, Clay é também levado pela grande fermentação revolucionária que tomava conta da sociedade norte-americana. Associa-se à luta dos negros por seus direitos civis, e torna-se discípulo do militante muçulmano e líder político Malcolm X. Essa vinculação aproxima-o também da comunidade do Islã nos Estados Unidos, que se tornara um dos veículos fundamentais dos negros em luta por suas liberdades democráticas. Cassius Clay passava então a responder pelo nome provisório de Cassius X.
Antes disso, um epísódio mostrou a Clay que não bastava ser campeão para ser respeitado como um ser humano nos EUA. Após a sua vitória nas Olimpíadas, foi a um restaturante branco no Sul e foi colocado para fora. Em protesto jogou a medalha de ouro no rio.
Em 1967, o lutador é convocado pelo exército para embarcar para o Vietnã. Já como um muçulmano, ele se recusa, alegando que “guerras são contra os ensinamentos do Alcorão, eu não estou tentando evitar o fato. Nós não entramos em guerra a não ser que seja declarada por Alá ou pelo messias, e não tomamos parte em guerras cristãs ou de qualquer outra religião”. Seu posicionamento contra o conflito era claro, e recebeu o apoio de todo um setor social mobilizado nacional e internacionalmente contra a ocupação.
O governo norte-americano tentou de todas as formas, através da sedução e da coação, evitar que o protesto do maior atleta nacional contra a guerra imperialista viesse à tona. Foi-lhe prometido que atuaria apenas como boxeador, que serviria um período mínimo, caso contrário, as conseqüências seriam duras. O campeão, porém, não quis se deixar nem seduzir nem coagir.
A decisão de não ir era crime federal, e o governo dos Estados Unidos ameaça suspender seu título de campeão. O caso ganha repercussão mundial, e a perseguição política sofrida por Clay, tornava-o mais do que nunca um símbolo da rejeição à Guerra do Vietnã e da luta de massas do negro norte-americano.
“Eu estou abrindo mão de meu título, de minha riqueza, talvez de meu futuro. Muitos grandes homens foram testados por suas crenças religiosas. Se eu passar no teste, voltarei mais forte do que nunca”. O incidente rende a ele uma condenação a cinco anos de prisão e também três anos de suspensão do boxe. Parecia o fim da carreira do lutador.
Ele voltaria aos ringues apenas em 1971, não mais como Cassius X, mas batizado de acordo com sua nova crença muçulmana, como Maomé (Muhammed, em inglês) Ali. O pugilista, no entanto, poucos meses depois sofre sua primeira derrota como boxeador profissional, disputando o título mundial contra Joe Frazier, em Manila. Vitória que surpreendeu a todos. Frazier se manteria como campeão do mundo até ser derrubado por outro predador dos ringues em 1973, o estreante George Foreman.

O punho temível de Foreman

George Foreman, nascido em 1949, teve também um sucesso súbito como boxeador após uma infância e juventude envolvido com gangues, assaltos e brigas de rua. De jovem delinqüente, acabou descoberto por um empresário do boxe em uma de suas temporadas na prisão. Conquistou a medalha de ouro nas Olimpíadas de 1968, na categoria Peso-Pesado, na Cidade do México. Tal como Cassius Clay, esta foi sua última luta como amador, profissionalizando-se ainda no mesmo ano.
Em pouco tempo Foreman fez seu nome como um dos grandes matadores do boxe, quando, ainda no ano de sua estréia no campeonato profissional, conquistou 12 vitórias, 11 delas por nocaute, incluindo uma aos 23 segundos de luta, sobre Cookie Wallace.
Após diversas campanhas brilhantes em campeonatos, apesar de nunca ter disputado ainda o título mundial, em 1971 era já considerado o número um do boxe Peso-Pesado, tanto pela Associação Mundial de Boxe e quanto pelo Conselho Mundial de Boxe. Em 1972, Foreman possuía em seu currículo a marca de 37 lutas e 37 vitórias.
No ano seguinte, George Foreman participava pela primeira vez da disputa pelo título mundial dos Pesos-Pesados. Desde 1971, o campeão era Joe Frazier, cuja vitória sobre o até então nunca derrotado Muhammad Ali naquele ano, valeram-lhe o epíteto de “invencível”. [A luta, que ficou conhecida como The Sunshine Showdown, Confronto do Brilho do Sol, ocorrida em janeiro de 1973, na Jamaica, durou apenas dois rounds. Foreman impôs uma das piores derrotas que Frazier já experimentara na carreira e tornou-se uma das grandes lutas da história do esporte. Frazier, que tinha um histórico de 29 lutas e 29 vitórias, sendo 25 por nocaute, incluindo a vitória sobre Ali, foi derrubado seis vezes seguidas em apenas dois rounds. O golpe final de Foreman contra o adversário foi um gancho dado com tamanha força, que Frazier foi erguido do chão antes de desabar pela sexta e última vez na lona.
No ano seguinte, Foreman repetiu o espetáculo contra Ken Norton, que um ano antes impôs a segunda derrota da carreira de Ali, ao quebrar seu maxilar durante o combate e vencer por nocaute técnico em 15 assaltos. Foreman nocauteou Norton em também apenas dois rounds em uma incrível demonstração do poder de seus punhos.
Naquele mesmo ano, Foreman protagonizaria aquela que é certamente a mais lendária luta da história do boxe, defendendo seu cinturão de campeão mundial na final contra Ali, cuja carreira parecia para muitos estar liquidada.

Ali, um renegado político do boxe

Neste período, Muhammad Ali lutava não apenas para reconquistar seu título, mas também como uma forma de recuperar seus direitos dentro do boxe, que foram cuidadosamente arrancado dele após a perseguição política e a pressão que vinha sofrendo desde 1967, quando se negou a ir ao Vietnã.
Desde então Ali fora relegado a um verdadeiro gueto dentro do boxe, criticado pela imprensa especializada, isolado de grandes lutas pela burocracia da associação, e condenado pela opinião pública conservadora, ou seja, em uma clara continuação da perseguição pelo governo imperialista e a sociedade burguesa norte-americana.
Havia naqueles anos uma sistemática propaganda ideológica nacionalista visando abafar o fracasso que se revelava a Guerra do Vietnã. As intensas mobilizações populares dos negros, canalizadas principalmente por uma ala burguesa dentro do movimento, e encabeçada pelo pacifista Martin Luther King Jr., também procurava caluniar e isolar de todas as maneiras a ala esquerda, representada por Malcolm X, de quem Ali fora discípulo. Malcolm X acabara assassinado em 1965 pela extrema-direita. O próprio movimento muçulmano norte-americano da Nação do Islã era mostrado pela imprensa conservadora como uma manifestação perniciosa no país, e caluniado de todas as formas. Inclusive era mal vista a troca de nome de Cassius Clay para Muhammad Ali.
Muito mais do que uma mera final do campeonato mundial do boxe, este torneio possuía um significado político mais profundo. A figura Ali representava, para milhares de espectadores que acompanhavam a disputa, o repatriamento de um exilado político, cuidadosamente excluído do palco dos acontecimentos esportivos por suas críticas, denúncias e lutas contra o imperialismo sempre crítica, em defesa dos negros em uma nação racista e opressora, Alitinha por trás dele, e representava em seu esporte, todo um movimento revolucionário que se desenvolvia no país. O lugar que ele procurava ocupar era justamente o lugar por que ansiavam todos aqueles elementos em luta. Foreman acabara inevitavelmente canalizando para sua pessoa, como indivíduo avulso, o clamor dos conservadores para varrer de uma vez por todas o inconveniente Ali para fora dos ringues.

O Combate na Selva: Ali X Foreman

Ali chegou à final do torneio mundial sustentando a marca de 46 lutas, 44 vitórias, 31 nocautes e apenas 2 derrotas.
Foreman, por sua vez, era então o dono do novo recorde dos pesos-pesados, invicto com 40 vitórias, sendo 37 delas por nocaute, incluindo as vitórias espetaculares sobre os dois boxeadores que haviam vencido Ali, Frazier e Norton.
A grande final teve lugar no antigo Zaire, atual República Democrática do Congo, durante o verão de 1974. A luta entrou para a posteridade como The Rumble in the Jungle - literalmente, O Combate na Selva -, e provavelmente a mais impressionante disputa dos pesos-pesados no boxe até hoje.
Foreman era o favorito. Tanto por sustentar já ha um ano o título mundial, quanto por efetivamente convencer a todos de sua virilidade e superioridade em pontos que Ali fora aparentemente superado, como no caso das suas derrotas recentes.
Durante a preparação, Foreman sofre um corte no supercílio que resulta em um adiamento da luta em um mês. Ali, que nunca abriu mão de sua estratégia básica às vésperas de suas lutas, aproveitou o tempo para viajar pelo país africano escarnecendo de seu adversário publicamente em todas as oportunidades.
O embate teve início finalmente na noite de 30 de outubro, diante de uma platéia de 60.000 pessoas e transmitido para todo o mundo. Os dois lutadores estavam no auge de sua forma física apesar dos rumores acerca de Ali. O pugilista começou a disputa dançando a redor do campeão, como já havia dito que faria. Mas tal era a intensidade dos golpes de Foreman, que Ali diversas vezes acabou acuado nas cordas do ringue.
Ali no entanto era bastante ágil, a ponto de tornar-se clara a dificuldade de Foreman de atingir o rosto de seu oponente. Mas as dificuldades do ex-campeão em disputar com Foreman corpo a corpo eram óbvias, ficando nítido que Ali passou a evitar o embate, ficando quase que a totalidade do tempo, encostado nas cordas.
Foi provavelmente neste momento da luta, ainda no segundo round, que Ali passa a adotar esta tática geral no duelo. A iniciativa era sempre de Foreman, Ali atacava o mínimo possível para garantir uma certa integridade.
É deste modo que transcorrem o segundo, terceiro e quarto rounds. Para os espectadores, era nítida a impressão que Foreman dominava completamente a luta. No final do quinto round, entretanto, a coisa muda de figura. Após Foreman atacar com uma seqüência de jabs, cruzados, e ganchos, a ponto de tornar constrangedora a situação passiva de Ali, este, percebe um certo cansaço em Foreman, que dá dois socos em falso, já sem grande pontaria.
Era o momento que Ali esperava e para o qual havia, na realidade, conduzido toda a luta. Ele avança sobre o campeão com uma precisa combinação de golpes e esquivas, que, para o espanto da assistência, deixam Foreman desnorteado. Ao término deste round começa a despontar a dúvida de quem realmente dominava o combate.
No sexto round é claro o desgaste de Foreman, e no round seguinte, Ali já se jogava displicentemente nas cordas esperando o ataque do oponente, quase provocador.
O que se havia dito na ocasião da luta de Ali com Sony Liston - o embate da inteligência contra a força bruta -, se aplicava de uma maneira muito mais consistente a este duelo. Foreman era, de fato, um gigante dos ringues, cujo punho era arma temível e poderosa. Ali tinha consciência disso, e, ao invés de procurar provar que seu punho poderia ser mais rápido que o de seu oponente, optou, inteligentemente, por uma estratégia esquiva, defensiva, mantendo-se conscientemente nas cordas do ringue, que ajudava a amortecer o impacto dos golpes do oponente e ao mesmo tempo, desgastá-lo, cansá-lo, lhe dava impulso para avançar sobre ele gastando o mínimo de energia. Esta estratégia, desenvolvida durante esta luta, acabaria conhecida como rope-a-dope, e seria incorporada permanentemente ao repertório dos novos lutadores.
Foreman, que partiu para cima dele sem maiores considerações, apesar de castigá-lo impiedosamente durante toda a luta, ao final do sétimo round estava acabado. Muhammad apostava em sua resistência física aos poderosos socos de Foreman. Era um de seus trunfos. A agilidade do campeão, já nesta altura, havia desaparecido, deixando no lugar apenas uma sombra daquele vigoroso lutador do primiero round.
No oitavo round, após uma seqüência de golpes vagarosos em Ali, sem nunca conseguir encaixar um soco sequer, Foreman ensaia uma queda, sustentando-se nas cordas. Ele estava liquidado. Alguns minutos depois, o campeão insiste, com socos cada vez mais selvagens e descoordenados. Após uma infeliz combinação de golpes aleatórios como os de um epilético, Foreman dependura-se novamente nas cordas. Era o momento decisivo. Antes que o adversário conseguisse voltar a si, é golpeado com uma seqüência de jabs e cruzados na cabeça e depois no rosto até desmoronar sobre a lona com um direto no queixo, sem voltar a si antes da contagem de dez.
Muhammad Ali era novamente o campeão mundial boxe. Sua cuidadosa e brilhante estratégia rope-a-dope, que dependia de uma grande dose de inteligência, autocontrole e determinação, derrubara um gigante até então imbatível. Mesmo depois disso, Ali viria a ser o único lutador a derrotar George Foreman por nocaute. Era a derrota das tentativas da sociedade burguesa imperialista de liquidá-lo como símbolo da luta dos negros oprimidos e da luta contra a guerra imperialista. 
O duelo marcou, além do encontro de dois gigantes do boxe, também o ponto alto de uma geração de boxeadores, que hoje se considera, tenha constituído a era de ouro do esporte, com inúmeros campeões de talento. Ali, que sustentaria seu novo título mundial até 1978, encerraria sua carreira em 1981, com um saldo total de 61 lutas, 56 vitórias, 37 nocautes e apenas 5 derrotas. Foreman lutaria ainda por muitas décadas, e conquistaria um recorde no esporte, com 76 vitórias contra apenas cinco derrotas, com este único nocaute.

sábado, 7 de janeiro de 2012

A corrupção continua forte atrás das cortinas da CBF

Mais um grave escândalo de corrupção foi alardeado nestes primeiros dias de 2012.
Em entrevista à rádio Jovem Pan, Gutemberg Fonseca, ex – árbitro do quadro da FIFA, revelou que existe uma série de favorecimentos dentro da Comissão Nacional de Arbitragem(CONAF)  e que os juízes escalados precisam ligar para o presidente da entidade, Sérgio Corrêa, para "receberem instruções" antes das partidas.
As declarações foram dadas por Gutemberg Fonseca  após a perda de seu distintivo Fifa, o que acabou culminando no encerramento de sua carreira. Para Sálvio Spínola, a atitude de seu antigo colega de profissão não condiz com o momento, uma vez que o caso deveria ter sido exposto anteriormente, e não após a troca de escudo com o carioca Péricles Bassols.
Um dos casos citados por Gutemberg ocorreu antes da partida entre Corinthians e Goiás, pelo Campeonato Brasileiro de 2010. Seguindo a orientação de Sérgio Corrêa, o ex-árbitro ligou para o presidente da CONAF, sendo o seguinte o teor do diálogo:
"Ele inventou essa situação. Eu liguei antes do Corinthians e Goiás, que o Corinthians ganhou de 5 a 1, e ele me disse: "vai lá, vai apitar o jogo do Timão, hein". E o que eu posso entender por isso? Que se o Corinthians não ganhar eu posso nunca mais apitar. Ser punido e não entrar mais em escala? E tudo isso está documentado, por isso falo com tranquilidade", comentou.
O ex-representante carioca no quadro da Fifa, não vê motivo para ter seu escudo de àrbitro retirado, já que passou em todos os testes físicos e jogando mais lenha na fogueira, ainda afirmou que, assim que parou de telefonar, passou a ficar fora das escalas.
Por fim, Gutemberg garantiu que nenhuma providência foi tomada pelo fato de o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, procurando isentar o corrupto dirigente por este “estar preocupado com questões envolvendo a Copa do Mundo de 2014, no Brasil”.
Os fatos acima mostram que os grandes escândalos do passado, como a máfia do apito; no qual a CBF e o ex-árbitro Edison Pereira de Carvalho foram condenados em fevereiro do ano passado(2011)  pela 17ª Vara Cível da Justiça de São Paulo a pagarem R$ 180 milhões; continuam a ocorrer, favorecidos por grandes interesses financeiros por trás das cortinas da CBF.