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domingo, 11 de setembro de 2011

Pela melhoria e avanço da Educação Física Escolar


O Texto abaixo foi apresentado aos responsáveis pela Divisão de Esportes e Lazer do SESI, referente ao projeto de construção do Livro de orientação curricular do SESI, na área de Educação Física, entre outras questões coloca para o debate e a luta desta categoria de profissionais pela evolução e melhoria do ensino desta disciplina, iniciando pelo ínfimo número de aulas semanais de Educação Física Escolar, que são oferecidas aos nossos alunos.
 A questão  colocada para o SESI, também deve dizer respeito a outras redes de ensino, como a rede estadual de São Paulo, que nos últimos anos também diminuiu o número de aulas do componente curricular.


Construção/ elaboração do Livro de Orientação curricular

Ednelson Cesaretti – CE 415

Síntese
Inicio esta seguindo a discussão do primeiro encontro. Entendendo que a proposta realizada pelos responsáveis da Divisão de Esporte e Lazer (DEL), em especial do Professor Saulo é uma aposta apoiada por cerca de 40 professores de Educação Física Escolar da Rede SESI.
Para mim é uma aposta na busca de uma Educação Física que possa transformar a consciência daqueles a quem se destina, ou seja, nossos alunos no sentido de uma educação para a transformação da sociedade atual, individualista, obedecendo aos interesses do mercado, que impõe poderes e exclusão. Mas mudar para onde?
Espero que para uma Educação e Educação Física Escolar que possa contribuir para uma sociedade futura, onde a exploração do homem pelo homem seja cada vez mais aniquilada.
Essa é a intenção de vários de nós, mas o debate que se segue, assim como uma certa “angústia”  gerada pela insegurança de saber qual o caminho a seguir, pois não temos o roteiro, apenas estamos no caminho(???), imaginamos.
Neste caminho, travamos batalhas por valores, que podem ou não estar em qualquer conteúdo da Educação Física, dependerá de qual política, qual o referencial teórico que teremos como norte para esta busca.
Por acreditar na frase sublinhada acima, os valores a serem buscados e desenvolvidos devem ser aqueles que se colocam a favor da maioria excluída, os pobres, os trabalhadores, os negros, as mulheres, outras etnias, os homossexuais, excluídos que sofrem esta opressão de várias maneiras, através do abuso econômico e seus apartheids sociais, do racismo, de preconceitos inúmeros como de classe social, de gênero, entre outros. E a Educação Física, os profissionais comprometidos tem que cada vez mais buscar a reflexão ação para a colaboração neste processo de mudança. No entanto, quero deixar um parênteses, que uma mudança estrutural  na sociedade só será conquistada pela maioria, ou seja, pela classe trabalhadora organizada em uma organização política que a represente, um partido político da classe trabalhadora  independente da burguesia.
Mas continuando a escrever sobre o nosso caminho, quero novamente levantar tema abordado em nossa reunião sobre as condições para a elaboração desta proposta, além de todas colocadas como o referencial teórico (vital), estrutura material, salários, aperfeiçoamento constante. Temos o dever se de fato, acreditamos em uma Educação Física progressista, crítica ou pós - crítica; lutar pela ampliação da grade curricular de Educação Física Escolar em nossa rede, situação que se coloca como um empecilho para uma transformação real. Não se trata aqui de dizer que esta ou aquela disciplina do currículo é mais relevante para a formação geral dos estudantes, mas de defendermos que para um sucesso desta proposta, que cerca de 1/5 dos profissionais da rede abraçaram (percentual que só não é muito maior em virtude de outra grande parcela de professores não poderem por razões de trabalho em outras redes ampliar esta luta), o aumento do número de aulas semanais será determinante para a construção de Educação Física Escolar que aposta em um projeto político de sociedade, em cidadanias verdadeiras, onde uma sociedade de fato democrática consiga que a justiça social seja um bem distribuído igualitariamente entre todos. Para isso devemos nos movimentar, agir. Enviando notes para nossos superiores colocando as impossibilidades da situação atual, duas aulas semanais para o Ensino Fundamental, uma aula semanal para o ensino médio, chamar o apoio dos estudantes e organizar um abaixo assinado reivindicatório dos professores do grupo.
Pois para trabalharmos com as especificidades de nossa área, precisamos sim de tempo, tempo de aula, tempo para refletirmos, tempo para que os professores acessem e desenvolvam conhecimentos. Essa é condição sine qua non para a implementação desta proposta que os mais de 40 professores mostram confiança e alegria para buscar, mas estas são algumas pedras e espinhos do caminho.
O próprio percurso histórico da Educação Física Escolar no Sesi, explicitado em nosso encontro, mostra um certo vai e vêm, progressos e retrocessos, neste momento e este grupo é o exemplo, estamos saindo de um retrocesso, onde em 2009 a política educacional era voltada para o “aprofundamento esportivo”, uma intenção pedagógica acrítica da Educação. Acredito também que estes avanços e retrocessos têm haver ao menos em parte, com nossa formação, nossas trajetórias, para que lado nos “aperfeiçoamos”, quais influências recebemos, de quais referenciais teóricos políticos, influências de quais correntes da Educação Física, acríticas, críticas, pós – críticas?
Dentro da aposta que fizemos, temos que pensar também a realidade de nossas escolas, onde temos desde a ótima estrutura das escolas/CATs, até escolas onde a quadra poliesportiva está rodeada por salas de aula. A realidade apresenta também uma maioria de estudantes de classe média baixa, com estudantes provenientes da classe operária, com renda familiar bem inferior à primeira.
Sobre os fundamentos teóricos, temos como debate mais recente na educação física escolar, os estudos culturais baseados em teorias pós - críticas da educação. Como profissional e estudioso da área sempre tive simpatia pela teoria desenvolvida pelo Coletivo de Autores, tendo também militado em um Partido Político de orientação Trotskista este é um momento de reflexões e dúvidas, como por exemplo a questão do conceito de luta de classes, que não é negado pelos estudos culturais, mas também não é dos pontos centrais desta. No entanto, vejo que no momento é a corrente que procura impulsionar o avanço da Educação Física Escolar em busca de um ensino que privilegie (como bem colocou Sônia Kramer) “fatores sociais e culturais, entendendo-os como sendo os mais relevantes para o processo educativo...”

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