O Texto abaixo foi apresentado aos responsáveis pela Divisão
de Esportes e Lazer do SESI, referente ao projeto de construção do Livro de
orientação curricular do SESI, na área de Educação Física, entre outras
questões coloca para o debate e a luta desta categoria de profissionais pela
evolução e melhoria do ensino desta disciplina, iniciando pelo ínfimo número de
aulas semanais de Educação Física Escolar, que são oferecidas aos nossos
alunos.
A questão colocada para o SESI, também deve dizer
respeito a outras redes de ensino, como a rede estadual de São Paulo, que nos
últimos anos também diminuiu o número de aulas do componente curricular.
Construção/ elaboração do Livro de Orientação curricular
Ednelson Cesaretti – CE 415
Síntese
Inicio esta seguindo a discussão do primeiro encontro.
Entendendo que a proposta realizada pelos responsáveis da Divisão de Esporte e
Lazer (DEL), em especial do Professor Saulo é uma aposta apoiada por cerca de
40 professores de Educação Física Escolar da Rede SESI.
Para mim é uma aposta na busca de uma Educação Física que
possa transformar a consciência daqueles a quem se destina, ou seja, nossos
alunos no sentido de uma educação para a transformação da sociedade atual,
individualista, obedecendo aos interesses do mercado, que impõe poderes e
exclusão. Mas mudar para onde?
Espero que para uma Educação e Educação Física Escolar que
possa contribuir para uma sociedade futura, onde a exploração do homem pelo
homem seja cada vez mais aniquilada.
Essa é a intenção de vários de nós, mas o debate que se
segue, assim como uma certa “angústia”
gerada pela insegurança de saber qual o caminho a seguir, pois não temos
o roteiro, apenas estamos no caminho(???), imaginamos.
Neste caminho, travamos batalhas por valores, que podem ou
não estar em qualquer conteúdo da Educação Física, dependerá de qual política,
qual o referencial teórico que teremos como norte para esta busca.
Por acreditar na frase sublinhada acima, os valores a serem
buscados e desenvolvidos devem ser aqueles que se colocam a favor da maioria
excluída, os pobres, os trabalhadores, os negros, as mulheres, outras etnias,
os homossexuais, excluídos que sofrem esta opressão de várias maneiras, através
do abuso econômico e seus apartheids sociais, do racismo, de preconceitos
inúmeros como de classe social, de gênero, entre outros. E a Educação Física,
os profissionais comprometidos tem que cada vez mais buscar a reflexão ação
para a colaboração neste processo de mudança. No entanto, quero deixar um
parênteses, que uma mudança estrutural
na sociedade só será conquistada pela maioria, ou seja, pela classe
trabalhadora organizada em uma organização política que a represente, um
partido político da classe trabalhadora
independente da burguesia.
Mas continuando a escrever sobre o nosso caminho, quero
novamente levantar tema abordado em nossa reunião sobre as condições para a
elaboração desta proposta, além de todas colocadas como o referencial teórico
(vital), estrutura material, salários, aperfeiçoamento constante. Temos o dever
se de fato, acreditamos em uma Educação Física progressista, crítica ou pós -
crítica; lutar pela ampliação da grade curricular de Educação Física Escolar em
nossa rede, situação que se coloca como um empecilho para uma transformação
real. Não se trata aqui de dizer que esta ou aquela disciplina do currículo é
mais relevante para a formação geral dos estudantes, mas de defendermos que
para um sucesso desta proposta, que cerca de 1/5 dos profissionais da rede
abraçaram (percentual que só não é muito maior em virtude de outra grande
parcela de professores não poderem por razões de trabalho em outras redes
ampliar esta luta), o aumento do número de aulas semanais será determinante
para a construção de Educação Física Escolar que aposta em um projeto político
de sociedade, em cidadanias verdadeiras, onde uma sociedade de fato democrática
consiga que a justiça social seja um bem distribuído igualitariamente entre
todos. Para isso devemos nos movimentar, agir. Enviando notes para nossos
superiores colocando as impossibilidades da situação atual, duas aulas semanais
para o Ensino Fundamental, uma aula semanal para o ensino médio, chamar o apoio
dos estudantes e organizar um abaixo assinado reivindicatório dos professores
do grupo.
Pois para trabalharmos com as especificidades de nossa área,
precisamos sim de tempo, tempo de aula, tempo para refletirmos, tempo para que
os professores acessem e desenvolvam conhecimentos. Essa é condição sine qua
non para a implementação desta proposta que os mais de 40 professores mostram
confiança e alegria para buscar, mas estas são algumas pedras e espinhos do
caminho.
O próprio percurso histórico da Educação Física Escolar no
Sesi, explicitado em nosso encontro, mostra um certo vai e vêm, progressos e
retrocessos, neste momento e este grupo é o exemplo, estamos saindo de um
retrocesso, onde em 2009 a política educacional era voltada para o
“aprofundamento esportivo”, uma intenção pedagógica acrítica da Educação.
Acredito também que estes avanços e retrocessos têm haver ao menos em parte,
com nossa formação, nossas trajetórias, para que lado nos “aperfeiçoamos”,
quais influências recebemos, de quais referenciais teóricos políticos,
influências de quais correntes da Educação Física, acríticas, críticas, pós –
críticas?
Dentro da aposta que fizemos, temos que pensar também a
realidade de nossas escolas, onde temos desde a ótima estrutura das
escolas/CATs, até escolas onde a quadra poliesportiva está rodeada por salas de
aula. A realidade apresenta também uma maioria de estudantes de classe média
baixa, com estudantes provenientes da classe operária, com renda familiar bem
inferior à primeira.
Sobre os fundamentos teóricos, temos como debate mais
recente na educação física escolar, os estudos culturais baseados em teorias
pós - críticas da educação. Como profissional e estudioso da área sempre tive
simpatia pela teoria desenvolvida pelo Coletivo de Autores, tendo também
militado em um Partido Político de orientação Trotskista este é um momento de
reflexões e dúvidas, como por exemplo a questão do conceito de luta de classes,
que não é negado pelos estudos culturais, mas também não é dos pontos centrais
desta. No entanto, vejo que no momento é a corrente que procura impulsionar o
avanço da Educação Física Escolar em busca de um ensino que privilegie (como
bem colocou Sônia Kramer) “fatores sociais e culturais, entendendo-os como
sendo os mais relevantes para o processo educativo...”
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