A carreira de Sócrates se iniciou no Botafogo de Ribeirão Preto em 1974, do qual foi comprado pelo Corinthians, após excelentes atuações nos campeonatos paulistas pelo clube do interior, tornando-se entre os anos de 1978 a 1984 um dos maiores ídolos da história do alvinegro. Defendeu também a Fiorentina da Itália e as equipes do Flamengo e do Santos. Foi convocado pela seleção brasileira pela primeira vez em 1979 tendo se destacado nas Copas do Mundo, as de 1982 e 1986. Fazendo parte daquela seleção que foi considerada por muitos como a Seleção de Futebol mais bonito, mas que foi derrotada em Sarriá, Espanha em 1982, pela seleção Italiana, que se sagraria campeã por 3x2.
Dono de um talento raro e consagrado como um dos maiores jogadores da história do futebol nacional e mundial, Sócrates também ganhou notoriedade por suas posições políticas.

Foi o principal líder da Democracia Corintiana, surgida no início dos anos 1980. Movimento que surgiu em plena luta da classe trabalhadora brasileira contra a ditadura militar no país. Foi um importante marco de apoio a esta luta vindo do principal esporte de apego popular, o futebol e do clube com a maior torcida do país naquela época. Além das várias manifestações contra o regime e a favor da Democracia, também dentro do Sport Clube Corinthians Paulista, o movimento da Democracia Corintiana mostrava que as coisas poderiam ser diferentes no país e no futebol, onde assuntos como contratações, escalação do time, locais de concentração entre outros eram decididos após amplo debate, no voto. Isso foi uma mudança radical no meio de um sistema que é marcado pela ditadura e escândalos de corrupção, onde o poder econômico fala mais alto na maioria das vezes, tornando jogadores meros marionetes nas mãos de empresários e cartolas.
A atividade política de Sócrates foi marcada pela sua ampla participação no movimento pelas “Diretas Já”. Cobiçado por clubes da Europa, prometeu que se a emenda Dante de Oliveira fosse aprovada pelo Congresso Nacional e estabelecesse as eleições diretas para Presidente da República ele permaneceria no Brasil e no Corinthians. Como isso não aconteceu, acabou se transferindo para a Fiorentina, da Itália, em 1984.
Antes desse momento, contratado pelo Corinthians em 1978, ele conquistou seu primeiro título em seu segundo ano no clube: o Campeonato Paulista de 1979. Voltaria a vencer a mesma competição em 1982 e 1983, marcando seu nome definitivamente entre os ídolos corintianos.
Ao lado de Reinaldo, o genial atacante do Atlético-MG que deixou o futebol precocemente, vítima da violência no esporte, mas também político e militante como o Doutor Sócrates ajudaram a popularizar, no Brasil, a saudação política dos Panteras Negras, maior partido político negro criado em 1966 no estado da Califórnia, o mais rico dos Estados Unidos, para defender negros americanos de perseguições racistas e preservar seus direitos políticos e civis.
Sujeito contido, Sócrates, quase não comemorava seus gols. Mas quando comemorava, quase sempre o fazia da mesma forma, à moda dos Panteras Negras: em silêncio, com um punho fechado e erguido para o alto e o outro totalmente para baixo, também cerrado.
Até 1977, não se dedicava exclusivamente ao futebol, pois estudava na faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP), onde se formou. Por conta disso muito se falou que Sócrates era avesso aos treinamentos, mas na grande maioria das vezes por estar na faculdade cursando o digníssimo curso.
Pela sua carreira de jogador de futebol, que se utilizou da sua arte para expandi-la e colocá-la a favor da luta do povo oprimido Sócrates merece todas as homenagens. Viva o Doutor.
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