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domingo, 9 de outubro de 2011


Copa 2014, mais um capítulo das grandes negociatas.

Como já foi denunciado por personalidades e organizações do meio jornalístico e político, entre os quais Andrew Jennings, autor do livro denuncia contra os altos dirigentes da FIFA e o ex jogador e atual deputado federal Romário, além do Jornal Causa Operária online entre outros veículos de comunicação, a Copa no Brasil, não será para os brasileiros.
Nos últimos dias, foi apresentado mais um brutal ataque contra os direitos do povo brasileiro e da classe trabalhadora em especial com a FIFA anunciando que irá vetar a meia-entrada para estudantes e idosos nos Jogos do Mundial de 2014. Alegando um prejuízo de US$ 100 milhões (cerca de R$ 180 milhões), a entidade internacional avisou o governo brasileiro que não vai arcar com o prejuízo. O preço total do ingresso é uma polêmica que tende a crescer com a proximidade da Copa. Na média, os ingressos nos últimos dois Mundiais custaram cerca de US$ 135(cerca de R$ 240,00*) o valor no Brasil poderia chegar a uma média de US$ 70, (cerca de R$ 125,00 em valores de 09/10/2011*) com a meia-entrada.
Neste ponto cabe a pergunta, prejuízo para quem?
Será que é para a família Warner?
Esclarecendo, a família Warner aqui citada é a família de Jack Warner, ex-vice-presidente da FIFA, que foi denunciado por inúmeros órgãos de imprensa europeus e outros e mais recentemente pelo livro: Jogo Sujo de Andrew Jennings, pela utilização de seu cargo em benefício de uma empresa, a Simpaul, que compra e vende milhares de ingressos para a Copa do Mundo, que é dirigida por Daryan Warner seu filho. O gravíssimo caso de corrupção está muito bem explicitado no livro apresentado acima.
Voltando para o caso brasileiro, quem quer passar por cima, inclusive das leis em vigor no Brasil para impor o fim da meia-entrada, não sabemos, mas temos certeza de uma coisa são mega interesses de grandes empresários envolvidos com a Copa.

Uma pequena coincidência no jogo de interesses
A meia-entrada que hoje é lei federal, inclusive com a aprovação do chamado Estatuto da Juventude pelo Congresso Nacional, não é uma dádiva dos poderosos ou dos políticos de plantão nos diversos poderes da federação, mas sim fruto da luta da juventude operária e estudantil ao longo dos anos, lutas de fato, nas ruas, nas manifestações pelo direito de meia entrada e do passe livre nos transportes coletivos. Luta que foi usurpada pelos interesses de dirigentes da UNE(União Nacional dos Estudantes), como o atual ministro dos Esportes e ex-presidente da UNE, Orlando Silva(PC do B). Na época em que foi presidente da entidade estudantil nacional; à qual seu partido, o Partido “Capitalista”, ops, digo, Partido Comunista do Brasil, dirige há décadas a UNE, servindo aos interesses das empresas do Ensino privado no Brasil; estes venais vestidos de “comunistas” legalizaram a carteira de estudante durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que dava direito a meia-entrada para espetáculos em geral, no território nacional. O que muita gente não sabe, é que a contrapartida da “concessão” foi o sufocamento e silenciamento do movimento estudantil brasileiro, que entre outras grandes lutas, exigiu o “FORA COLLOR”, ao mesmo tempo em que tinha o monopólio das carteiras estudantis Orlando Silva e companhia faziam a UNE virar um grande balcão de negócios. Enquanto seus dirigentes enriqueciam o ensino público degringolava no Brasil, juntamente com o amordaçamento das lutas dos estudantes (essa era a contra partida que interessava ao governo FHC), que eram desorientados pela conduta política da UNE, durante todos estes anos de 1995 a 2011, o número de instituições particulares de ensino foi à estratosfera juntamente com  ensino à distância, enquanto o ensino público em todos os níveis foi caindo num poço sem fundo, sem verbas condizentes com a necessidade, com a superlotação das salas de aula, com um ensino cada vez mais precário, onde milhares de professores trabalham mais de 10 horas por dia e não podem seguir o que a profissão requer, seja por questões salariais ou pela alta carga horária; Professor é profissão de quem estuda.
Enquanto a educação era destruída, a corrupção nas entidades estudantis e sindicais somente cresceu no Brasil.
Em uma de suas últimas declarações, Orlando Silva, declarou:
"Não seria conveniente suspender o direito de uma parcela da população, que é a população idosa. Não existe nenhuma garantia assinada com o Brasil junto a Fifa, que estabeleça que teria que ser suspensa essa legislação." (Site: IG em 03/10/2011)
O líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) apoiando a política de ataque aos interesses da população brasileira, afirmou nesta quinta-feira que foi um erro abrir a possibilidade de a meia-entrada ser tratada por uma lei federal.
Isso mostra que no atual balcão de negócios do Ministro dos Esportes e do governo, os estudantes  e a sua conquista, a meia-entrada, não entram nas atuais contas, ou melhor, entram nas contas a favor dos interesses empresariais da FIFA, ou seja, nada de meia entrada para os estudantes na Copa do Mundo.

Bom, quando o assunto é dinheiro, muito dinheiro, pode.
 Juntamente com este escândalo, outro caminha junto, a FIFA quer impor o fim da restrição ao uso de bebidas alcoólicas nos estádios brasileiros.
 Neste ponto cabe novamente a pergunta, prejuízo para quem?
As grandes marcas associadas à FIFA são entre outras secundárias, as seguintes:
Coca-Cola, McDonald’s, Hyundai, Sony, Visa, Adidas, Emirates e Budweiser, ou Brahma para o mercado brasileiro. Aí está a resposta. As pressões da FIFA ao governo brasileiro puderam ser vistas durante participação de Orlando Silva Júnior,  no programa Arena Sportv, no último mês de setembro.
O assunto é um dos pontos polêmicos envolvendo o Mundial de 2014. Em todas as Copas do Mundo, a venda de cerveja é liberada nos estádios, principalmente por conta do patrocínio da Inbev, dona da Budweiser.
O ministro tentou justificar a atual proibição da venda e consumo de bebidas alcoólicas nos estádios brasileiros como uma determinação da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
“O regulamento de competição da CBF é quem restringe. Isso é da CBF, a partir de um diálogo com o Ministério Público, e se tornou uma regra que vale para o Brasil”, disse Silva Júnior.
A proibição, no entanto, também consta no Estatuto do Torcedor, uma das leis federais que a Fifa pediu para que fosse suspensa durante o Mundial. O texto diz que é condição “de acesso e permanência do torcedor no recinto esportivo (...) não portar objetos, bebidas ou substâncias proibidas ou suscetíveis de gerar ou possibilitar a prática de atos de violência”
Bem, como vimos quando o assunto é atender aos interesses dos grandes empresários, eles farão de tudo, para que os primeiros consigam. O povo, ah, este vem em 2º, 3º, 4º ...lugares.
Em contrapartida, para fazer os governos se lembrarem dos trabalhadores, do povo, nada que uma boa greve, como a dos trabalhadores dos Correios, não os faça mudar de idéia.

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